Ministério da Saúde lança campanha pelo Dia Mundial de Combate à Aids
Jovens gays são público-prioritário da campanha, que tem como slogan “A aids não tem preconceito. Previna-se”
O Ministério da Saúde lança, durante a abertura da 14ª Conferência Nacional de Saúde nesta quinta-feira (1), a campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, cujo slogan é “A aids não tem preconceito. Previna-se”. A proposta é estimular a reflexão sobre uma sociedade menos preconceituosa, mais solidária e tolerante à diversidade sexual e às pessoas vivendo com HIV/aids.
Neste ano, os jovens gays, de 15 a 24 anos, são público prioritário da campanha. Boletim epidemiológico sobre HIV/Aids divulgado na última segunda-feira (28) apontou o avanço da doença entre este grupo, na contramão do que tem acontecido nesta faixa etária.
Ao longo dos últimos 12 anos, a porcentagem de casos na população de 15 a 24 anos caiu. Já entre os gays a mesma faixa houve aumento de 10,1% entre os gays da mesma faixa. No ano passado, para cada 16 homossexuais dessa faixa etária vivendo com aids, havia 10 heterossexuais. Essa relação, em 1998, era de 12 para 10.
Apesar da estabilidade no número de infectados, governo se preocupa com o avanço da doença em mulheres, jovens e travestis com até 24 anos.
O aumento no número de jovens entre os infectados pelo vírus da Aids nos últimos anos tornou-se a principal preocupação do governo na prevenção da doença. Ao mesmo tempo em que o Ministério da Saúde anuncia a estabilização dos números da Aids, a pasta faz um alerta com relação ao aumento da incidência do mal entre brasileiros com idade entre 15 e 24 anos. A mira está apontada principalmente para mulheres, gays e travestis. De acordo com o último Boletim Epidemiológico (ano base 2010), o número de casos de pessoas infectadas com a doença nessa faixa etária subiu de 3.006 em 2005 para 3.238 no ano passado.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acredita que isso se deve ao fato de a geração com até 29 anos não ter vivido o forte enfrentamento à doença, 20 anos atrás. “Existe uma preocupação específica para esse segmento, que tem uma vulnerabilidade que chama muito a atenção”, frisa o ministro. Ele ressalta ainda que existem mais casos diagnosticados em meninas do que em meninos. Em 2010, foram registrados 349 casos em jovens de 13 a 19 anos. Entre os meninos da mesma faixa etária, o total foi de 296. “É preciso mudar a atitude nesse público, trabalhar as diversidades regionais”, pontua Padilha.
Os registros não surpreendem o psicólogo e coordenador do Polo de Prevenção à DST/Aids da UnB, Mário Ângelo Silva. Segundo ele, as mulheres são biologicamente mais vulneráveis à doença e ainda sofrem com os efeitos da desigualdade de gênero. “Elas têm mais dificuldade na hora de negociar o uso do preservativo”, explica. Para ele, é preciso trabalhar a prevenção tanto na família como nas escolas. “A ênfase deve ser no uso da camisinha, que ainda é o meio mais eficaz de prevenir a doença. As campanhas precisam circular. Não é só no carnaval e no ano-novo, mas no ano inteiro, principalmente no ensino médio”, sugere.
Fontes: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/3510/162/ministerio-da-saude-lanca-campanha-pelo-dia-mundial.html e http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/29/aids-avanca-entre-jovens-de-15-a-24-anos

