Jovens começam a fazer exames para se antecipar ao AVC e outras doenças
Houve um tempo em que homens e mulheres viviam, na melhor das hipóteses, por três décadas. A expectativa de vida da população das áreas mais desenvolvidas do planeta começou a mudar somente entre os anos de 1500 e 1900. De lá para cá, melhores condições de alimentação, de saneamento e o incontestável avanço da medicina contribuíram para que os indivíduos ultrapassassem a barreira dos 30. Atualmente, embora ainda sofra com mazelas praticamente erradicadas nos países mais desenvolvidos, o brasileiro vive, em média, 72.4 anos. Ainda estamos longe, porém, comparando com os japoneses, que normalmente chegam aos 82.6 anos e são os recordistas mundiais de longevidade.
Viver mais, no entanto, trouxe alguns desafios. Males neurológicos pouco relatados antigamente hoje são comuns e causam receio não apenas em idosos. Jovens que desejam escapar do acidente vascular cerebral (AVC) e de patologias que afetam a memória e a cognição passaram a procurar meios de se antecipar a tais ocorrências. Por isso, o checape neurológico tem conquistado quem pretende ir além dos 70 preservando, é claro, a qualidade de vida.
Para prevenir o AVC, que já lidera a lista dos males que mais matam no Brasil, médicos e pacientes têm à disposição exames cuja finalidade é averiguar o estado das artérias que levam sangue e oxigenação ao cérebro. A anamnese com neurologistas — histórico detalhado do paciente feito pelo especialista por ocasião da consulta — também é importante para detectar sinais de perdas cognitivas, uma das características das demências.
O comprometimento da memória e outros problemas degenerativos também podem ser detectados em testes específicos. Para Maristela Costa, neurofisiologista do Hospital do Coração, em São Paulo, entender o funcionamento do cérebro e o envelhecimento cerebral ainda é um grande desafio para médicos e cientistas. Mas, os exames de neuroimagens estão, cada dia mais, contribuindo para desvendar melhor a estrutura mais complexa do corpo humano.
O primeiro passo da rotina do checape neurológico é a consulta detalhada com um neurologista e a avaliação neuropsicológica. “O eletroencefalograma com mapeamento cerebral, o doppler de carótidas e a angiorressonância de crânio são indicados depois da anamnese, dependendo da história e da idade do paciente. Com esses instrumentos, conseguimos diagnosticar precocemente os males comuns na população acima dos 50 anos”, especifica.
Segundo a médica, o declínio intelectual é esperado para todos os indivíduos que ultrapassam essa idade. O momento em que isso se dá, porém, é muito variável. “Em 50% dos casos, há uma evolução progressiva que alguns médicos acreditam poder ser retardada com exercícios específicos, alimentação e reabilitação psicomotora. São tentativas. Cientificamente, ainda não podemos provar que essa abordagem impeça a evolução para a demência”, enfatiza Maristela.
O neurologista Ricardo Teixeira pondera que a medicina é baseada em evidências. Ele entende que, por isso, o checape neurológico deve ser visto com cautela. “Recomendo que a investigação seja feita somente por aqueles com queixas que podem indicar um problema. Um paciente de 30 anos que não apresenta qualquer fator de risco não tem motivo para passar por exames tão detalhados”, pondera.

