Mente sã, corpo são

Mente sã, corpo são O trabalho e o cuidado com nosso equilíbrio mental são fundamentais e refletem diretamente em nossa estabilidade física.

    O excesso de trabalho é um dos responsáveis
pela redução da qualidade de vida. A 
carga horária elevada, o acúmulo de atividades,
 a competitividade do mercado de 
trabalho, entre outros fatores, faz com que 
as pessoas negligenciem a própria saúde,
 inclusive a mental.


   O estresse no trabalho e outros fatores
 ambientais contribuem para o desencadeamento 
e agravamento de diversas patologias,
 mas não podem ser sempre considerados
os grandes vilões. Como essas doenças
 acabam se manifestando no início da idade 
adulta, uma fase intensamente produtiva 
em termos profissionais, deixam a ideia de 
terem sido adquiridas junto com a profissão
 e as demandas a ela associadas. Mas 
isso nem sempre corresponde à realidade.
 As doenças mentais hoje ainda são vistas
 por muitos como sinônimo de fragilidade 
de caráter, fazendo com que as pessoas tentem, até o limite possível, administrá-las
 com recursos próprios e diversas técnicas 
de auto-ajuda. Para a psiquiatra Alessandra
 Bender, uma maior conscientização de que as patologias mentais são doenças que necessitam
 de tratamento médico, como as 
doenças físicas, talvez antecipasse a busca
 por tratamento e evitasse que os sintomas
 atingissem um nível crítico, podendo assim,
 reduzir a necessidade de afastamento
do trabalho. Depressão, alcoolismo, transtornos ansiosos e estresse estão entre as
 principais causas de afastamento em saúde
 mental. 


   Diante desse quadro a prevenção é um 
fator determinante. A promoção da saúde 
mental e emocional dos funcionários nas 
empresas é benéfica para todos, empregados
 e empresários. Esse trabalho se dá 
por meio de ações que resultem em mudanças
 de atitudes, como educar chefes e funcionários para que eles disponham de 
ferramentas que possibilitem identificar
 sintomas e sinais das doenças de maneira
 precoce, sem preconceitos e prevenindo 
os custos diretos e indiretos que esses problemas
 acarretam quando diagnosticados
 tardiamente.

ATENÇÃO NO TRABALHO
   A secretária M.G., de 47 anos, já esteve longe de seu trabalho diversas vezes por 
culpa da depressão. No caso dela, trabalhos 
de prevenção não foram feitos e a
 doença foi diagnosticada quando já havia 
atingido o nível máximo, resultando no seu
 afastamento. “Fui diagnosticada três vezes 
com sintomas de depressão. O meu antigo 
trabalho exigia muita atenção, disponibilidade
e 100% de dedicação, eu era muito
 cobrada. Como sempre quero mostrar
 o meu melhor, acabei me desgastando
 completamente”, conta M.G. Hoje, a secretária 
trabalha em uma empresa que conta 
com serviços de cuidados à saúde, entre
 eles, o apoio de um trabalho psicológico.
 “Eu sei que tenho a doença e que ela pode
 aparecer se eu não me cuidar, mas hoje 
sei o meu limite. E o mais importante é que 
posso contar com um apoio dentro do meu 
trabalho e isso para mim é fundamental”,
 completa. De acordo com M.G, outras pessoas
 da companhia também buscaram o
 auxílio de psicólogos dentro da empresa e
 aprenderam a conviver com suas doenças.
 Para a médica Alessandra essa aceitação do 
diagnóstico se dá pelo fato de as doenças 
serem melhor estudadas hoje, podendo
 ser definidas e classificadas com maior exatidão. 
“A precisão resulta em tratamentos 
eficazes e na redução dos preconceitos a
 elas relacionados. Existe uma facilidade 
maior em reconhecer as doenças e aceitá-las,
 e uma maior quantidade de sucessos 
terapêuticos entusiasma e encoraja os pacientes 
a assumir seus sintomas como algo
 normal e passível de tratamento e controle”.
 A médica afirma ainda que, tanto quanto
 auxiliar e promover a saúde em outras
 áreas, a promoção na saúde mental dentro
 e fora de ambientes corporativos é fundamental 
e também deve receber atenção.

 

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